quinta-feira, 3 de julho de 2014

O 'Estripitize-se' chegou ao fim


E com ele, muita coisa boa e ruim. Posso dizer que valeu como aprendizado. Foram quase sete anos de blog. Já estava na hora de mudar de casa. Pode ser que alguma coisa daqui vire livro ou seja importada para o outro blog que ainda tá peladinho (sem postagem, sem layout, sem nada). Mas o endereço já está aqui: www.moamorim.blogspot.com.br

Bem, eu só tenho a agradecer pelas 182.688 mil visualizações até este exato momento. Obrigada a cada um de vocês que acompanhou esta cachoeira de poemas, crônicas e prosa. E a quem, sobretudo, soube separar o poema da autora, entendendo a proposta estritamente poética do blog.

É um novo tempo. Esse tempo chegou. 

Mais uma vez, obrigada.

Mô Amorim, uma moça pura de família quase boa. ;-)

Dados recentes e interessantes da movimentação do blog:


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Garota de palavra



Ilustração: mô amorim
É mesmo esquisito quem escreve. A palavra encosta na gente. Gruda. E ai se isso não acontece. Qual a distância entre a palavra e eu? Guardei todas as delicadezas que a minha mãe me deu. Ensaiei no sótão. De noite e no escuro. Dá um arrepio ler essas palavras por dentro. Quem escreve é de mistério. Tem cortina n’alma. De vez em tempos, abre e se mostra. Feito espetáculo. Temporada. E só vê, quem sabe ler de verdade. Eu sou a distância entre a palavra e o papel. Poucos centímetros entre ele e eu. Brinca agora a palavra no quarto. Nasceu. A cara da mãe. A palavra persegue, entrega e denuncia quem a prendeu. A palavra, não eu.

mô amorim

Eu tenho uma queda por homens-meninos


Encontro-me no difícil exercício de escrever sobre um menino, sendo eu, uma menina. É uma tarefa que não sei se dará certo. A alma da menina já sonha com a obrigação de tornar-se mulher. E eu já fiz essa trilha. A contrária também, quando quis de volta a menina. Mas a alma do menino eu não sei. Por isso estou a inventar. Eu escrevo sobre um menino baseada nas pistas que tenho dos meninos crescidos: os tais homens. Em sua maioria, acanhados, com certo pudor para revelar os sentimentos. E digo isso com todo o respeito que merecem porque a vida é dura, rapazes. Se, na idade adulta, marcam uma pelada ou uma cerveja com os amigos, entendem isso como transgressão necessária. E no fundo sabemos que se trata apenas de uma cerveja e de uma pelada. Mas os sonhos e planos ficam esquecidos, guardados tão trancafiados que passam anos amontoando pó. Eu escrevo sobre um menino. Mas o menino guarda o homem. Eu vou antes entrevistar os meninos. Vou ver se acho um bem pequenino que ainda não descobriu a obrigação de ser homem. Ou um homem que já aceitou que quem mora dentro mesmo é o menino.

(mô amorim)

terça-feira, 1 de julho de 2014

A garota dos tules e do coração de aço



Mora em mim uma garota
Mora e sobrevive no sótão dos meus desejos
Dos meus sonhos mais sem jeito

Mora em mim esta garota
Que gosta de pérolas
Porque pérolas guardam qualquer respeito

Eu não quero nunca gritar
Mas se preciso for
Se preciso for
Gritarei
Só para me proteger

Demorou para colocar gansos nessas
minhas propriedades de dentro
Demorou para consolidar a cerca de proteção
Esta garota veste tules
Mas é de aço seu coração

As cercanias por dentro estavam devastadas
Mas agora
Agora
Está tudo restaurado

Ninguém que não queira seu bem
Poderá entrar
Ninguém que não consiga lhe segurar
Poderá ficar


mô amorim

Estripitize-se = Beije...ou roube um beijo...

(Sabia que foi Francesca quem beijou Paolo? Pois é... Rodin foi atrás dos dois talvez querendo um beijo. Isso não me sai da mente. E eles estão se beijando até hoje. O beijo silencia o coração selvagem).
“Líamos juntos a história de Lancelot(...). Estávamos sós e sem qualquer malícia. Mas por vezes, nossos olhares, encontrando-se, abandonaram a leitura e fizeram mudar a cor de nossas faces. Um trecho nos induziu ao pecado foi ao lermos sobre o beijo que o herói ousado depôs nos lábios da doce amante. Este aqui, meu companheiro para a eternidade, a boca me beijou ardentemente”. (a versão de Francesca de Rimini, extraída do Canto V, Divina Comédia de Dante Alighieri )

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O essencial mora na simplicidade



A alma é elegante. Ela não deseja status nem glória para si. Ela pede paz, calma, uma sutil transformação. E eu preciso disso. Preciso ser alma, preciso de calma, de ações mais vagarosas. Preciso ser. Às vezes, parar com tudo pode salvar a nossa alma. Romper com o passado, com velhos modelos e ficar quieta era tudo de que eu precisava. Mas precisei esperar a noite como se espera um brinquedo de Natal, esperar o romper da manhã como se espera que a crise de asma acabe e novamente a gente possa respirar sem medo. Mas sem fazer nada, sem fazer força, apenas prestando atenção no momento e nas coisas que se sucedem. Então, divinamente a gente percebe que tudo estava guardado como um tesouro e você não tinha tempo para olhar. Acontece que sempre amanhece. E de repente, o caminho se mostra e, enxergar este caminho, sentir-lo como nosso compensa toda a espera por esse novo entendimento. Mas essas descobertas acontecem em milésimos de segundos, naquele momento em que a lua devolve o céu para o sol num gesto de amor quase imperceptível. Que eu possa sempre estar atenta, que eu possa sempre enxergar.

mô amorim

domingo, 29 de junho de 2014

Quero morar numa livraria

 
quanto tempo a gente demora pra ser a gente? será que passa uma vida e a gente ainda se procura? 
eu tenho uns sweets por dentro... uns sweets dentro de mim... tenho umas histórias não escritas que me doem não sabê-las no papel... eu me queria sentada horas e horas a fio escrevendo tudo que se passa aqui n'alma... cachoeira que jorra na madrugada... uns sonhos escondidos nas meias de renda... nos lenços bordados guardados em bolsas de cetim... eu vejo histórias em bolinhos com café... em placas de docerias... nas saias das moças... nas sapatilhas que andam nas calçadas... nos pés das crianças... no cortina da vizinha idosa que mais parece um véu de noiva ... em tudo eu vejo histórias...mas a mim não é dado o tempo para escrever... com uma certa regularidade eu preciso sentar e chorar essas perdas... essas perdas de ser... de não ser eu integralmente... porque meus pensamento não é quadrado e por isso me sinto só... como usina que trabalha, subsiste forte um  turbilhão de culpa de espremer meus dias entre tantas canseiras seculares... entre tantas atividades enfadonhas... se eu pudesse morar numa livraria... eu dormiria feliz, quer dizer, eu não dormiria... eu ficaria lendo para sempre... sem dormir... eu sinto saudade de voar... eu ficaria lendo e escrevendo... ficaria lá uns trinta anos... sossegada... guardada... lá eu ficaria...

mô amorim

As Horas-Virgínias?

Virginia Woolf, Vanessa Bell


E gosta do dia enquanto não começa. Gosta, (impressionante...) das coisas, enquanto não começam. Gosta da não-pressa. Do vagalhar. Do trec-trec da porta rangendo. E não coloquem óleo nisso! Ah, a porta...Entre a tua disposição para o fato ou para a versão comprada dele, existe a porta. E aí, patrão? Vai mais uma empurradinha? Você quer ver? Está certo de que quer ver? Existe a liberdade, meu caro. A liberdade de escolher a próxima prisão. Qual é a hora da tua tortura? Às quatro da tarde? Ou no fim da noite, antes de apagar a luz e morrer um pouco? Qual é a hora feliz da tua prisão? Eu descobri, que o longe é puro demais. Que o longe é não sujar-se, apesar de belo me parecer, antes do arremesso do meu corpo e existência nele. No longe. Nos ancestrais. Nessa vila há os trabalhadores calados. Iguais. Mas eu sempre irei murmurar. Você sempre se irritará com os meus ruídos. Ando, ultimamente, roendo livros. Quando não puder, inventarei meus homenzinhos minúsculos para brincar. Quando não puder inventar mais, eu não sei. Eu tenho sempre pouco dinheiro no bolso. O perigo é meditar. É duvidar que depois de ser feliz, não há mais nada. Por isso gosta dos começos, dos espaços que antecedem o aperto de mão, os lábios desgrudando para a palavra surfar no vento, cantando feito violino na perfeita acústica do lado de fora. Antes de aposentar tudo. Depois da palavra dita, o ar se empurra e a mais doce borboleta é culpada por esses temporais. Acordei com o maxilar doendo em meu aposento árcade. Eu quis segurar o mar de dentro. Doidice. Foi feito para jorrar. Se você abrir a porta, não sei: podem vir tanto peixes, dragões, dromedários ou insetos da noite...Eu não seguro o momento após. Volto no que foi antes, e olhe! Se foi. E soltou-se da minha mão. Estava aqui! Eu juro.


Daqui, deste lugar da sala, olhando o relógio mais velho que meu pai, não entendo ainda as horas. Não entendo por que não param um segundo sequer, enquanto eu descanso antes?

mô amorim

sábado, 28 de junho de 2014

Minha coluna no Cinezen

Eu, mamãe e os meninos: monólogos, diálogos e surpresas

Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos.
(Jean-Jacques Rousseau)
Que grande surpresa foi o longa francês “Eu, mamãe e os meninos”, de Guillaume Gallienne para mim! Era uma terça-feira movimentada. Depois da terapia, fui a um café sonhar um bocadinho com a cara escondida em livros. Pensei, de repente, em pegar um cineminha. No entanto, há sempre monólogos dentro de mim brigando sem parar. Vozes diziam por dentro: “Você tem muitas coisas para fazer em casa, melhor pegar a sessão outro dia”; “Mas você precisa de uma pitada de ficção para continuar a labuta.” Espantei as minhocas e entrei no cinema. Poucas pessoas lá dentro. Elogiei os óculos da moça que pegou meu bilhete. Fui achando a posição certa na cadeira. As luzes se apagaram e a grande tela se iluminou. O que este filme traria para mim?
(Pausa pensante).
Neste momento, temo não tecer minha impressão com os mesmos lampejos de epifania que Guillaume o faz em sua produção. Por isso, antes de tudo, pardon. Digo baixinho novamente: pardon.
E graciosamente, a película vai se descortinando imprevisível, com uma veia teatral onde quase conseguimos imaginar um cenário montado sobre o palco. Uma verdadeira riqueza de atuação.
Agora, peço, meus queridos: assistam ao filme! Sem medo. Ele me arrancou gargalhadas, mas me aprumou no terreno da reflexão sadia e sem hipocrisias. A produção não foi recebida com alarde aqui no Brasil, mas se trata de uma obra delicada e cômica; sensível e nevrálgica. Recebeu o mais importante prêmio do cinema francês, incluindo melhor ator e melhor filme.
O longa começa pelo fim, com o protagonista tirando a maquiagem antes de adentrar o palco. Como se dissesse: sem máscaras dessa vez. E quanto das nossas impressões não são maquiadas nesta rarefeita realidade? Uma coisa é certa: o mais real e consistente é o que vai dentro. A realidade externa apenas é um reflexo dos nossos temores.
O enredo é tecido de forma a nos apresentar o passado do protagonista revisitado, onde o revezamento acontece entre sua figura e da própria mãe. Há uma admiração visceral pela figura materna, que confunde. Implicitamente, as cenas são recheadas com diálogos inteligentes que nos levam a pensar sobre o que é normal. O que é anormal? O que é feminino? O que é masculino?
E um passeio nos gêneros se inicia, revelando a fixação da sociedade com estereótipos. Mas a dança dos monólogos é agradável e calma, como se fôssemos convidados a um jantar francês com intelectuais conversando demoradamente sobre a mesa. O filme conversa. Isso mesmo. A gente sai pensando e duvidando das certezas que o mundo tem. Naturalmente, a plateia é levada a se desfazer de conceitos fixos e o fim da trama é delicioso.
A desenvoltura com que Guillaume interpreta o protagonista e a própria mãe é admirável. Não deixa nada a desejar. É convincente e nos prende aos trejeitos sutis e bem elaborados: a forma como segura o cigarro, o balançar das cadeiras ao andar, cotovelos apoiados com mãos que parecem ter vida própria. Artístico do começo até o final.
Apesar de se encaixar na categoria de comédia, “Eu, mamãe e os meninos” não perde sua seriedade quando trata da sexualidade, tema tão polêmico hoje em nossa sociedade. De um lado, vive-se uma onda assustadora de homofobia e, de outro, a misoginia é acesa e estampada em jornais e em salas de terapeutas familiares.
eumamaeeosmeninosO momento mais sublime do filme é quando Guillaume fala das mulheres, elogiando-as. Eu, se munida estivesse de um controle remoto, teria voltado à cena mil vezes. Digo isso sem exageros. E ali, exatamente neste ponto da trama, senti uma virada tímida, que estaria por se revelar.
Numa sociedade onde carimbos são distribuídos a quem não se encaixa num modelo a todo instante, a busca da identidade se faz necessária. Esta busca não acontece sem hipocrisia ou medos. No momento atual, confesso que ando com as antenas acesas aos comentários preconceituosos. Em quinze minutos de conversa, já consigo detectar o machismo ridículo de qualquer sujeito. Para somar ao caldo indigesto, temos o senso comum reinando nas redes sociais. O que se percebe é que ninguém quer perder tempo lendo, aprofundando-se, refletindo, colocando-se no lugar do outro. As análises são sempre muito rápidas e superficiais, herdadas sem o mínimo de questionamento. E assim, há pouco espaço para transformações profundas e internas num mundo caótico como o nosso. É mais fácil pintar o rosto com alguma tinta que agrade o grande público. Por isso, “Eu, mamãe e os meninos” nos presenteia com esta visita a um terreno tão delicado, mas necessário de ser retomado. Eu não duvido que a feitura deste longa rendeu ao seu produtor uma imersão terapêutica.
E se caso você se aventurar a ver este filme, não saia por aí achando que pode agora explicar o mundo. Nosso grande erro enquanto humanos é tentarmos fechar conceitos e diagnósticos sobre coisas que estão mudando, estão em processo. Nada é eterno. Não estamos prontos. O filme provoca tudo isso, mas de um jeito calmo, típico tédio charmoso francês.
Por isso, não confunda crocodilo com cocô de grilo. Não confunda as coisas ou as pessoas. Nem a cabeça delas. Pense sob outros prismas e não seja somente a herança fácil e pronta de seus velhos pais.
Um beijo, Mô Amorim.

http://cinezencultural.com.br/site/2014/06/24/eu-mamae-e-os-meninos-monologos-dialogos-e-surpresas/

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Ninguém mandou

o vento a tirou pra dançar
foi numa tarde de julho
vento que vem de todo lugar
seus olhos castanhos
dão medo
nunca sabe os profundos dela
porque ela
porque ela
porque ela
é tempestade

ninguém mandou mexer
ninguém mandou tocar

mô amorim

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Vulcãozinho

Tá aqui e tá dormindo

Toda essa que eu quero ser
Fico horas
Parada
Sonhando comigo
Sinto
Eu fiz meu desenho
No vidro de vapor
Dois braços
Duas pernas
Cabeça
Estômago
Coração
E saindo da cabeça
Um fio até o céu
Pendurada
Braços abertos
Flutuando
Eu não sou toda ainda
Sou só um vulcãozinho
Um lápis
Não caneta
Um caderno
Não um livrinho
Só uma idéia
Mas
Eu sinto
Tanto
E todo dia
Labareda
Presa
No peito
Aqui dentro
Ferve
Geme
Derrete
Tá aqui dentro dormindo...
mô amorim

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Das vontades translúcidas de ser e fugir. E voltar, se quiser...



Inicio este texto rindo. Como se eu tivesse uma varanda em meu apartamento (ô, felicidade seria...). Escrevo de frente para o espelho (tem sido o exercício de ultimamente). Encontrei outro dia um amigo no mercado. Expressou a falta que sente de mim no Facebook. Gostava de ler meus poemas postados lá e até aprendeu a tomar suco verde por minha causa. Perguntou se ainda como aquela tonelada de frutas por dia e eu respondi que sim. Indagada sobre minha ausência, expliquei que tinha dado um tempo. Na verdade, tem um monte de explicação para isso que não convém tratar de todas aqui. Mas o resultado disso tem sido positivo. Nos primeiros dias, foi estranho. Eu pensava: o que será que todo mundo tá fazendo? Será que alguém vai sentir minha falta? Pensava e sentia coisas do tipo. Mas com quase três mil pessoas na minha conta e, todas conhecidas (pasmem!), eu ficava, por vezes, angustiada. E como o plano é ir soltando as angústias e cargas pesadas pelo caminho, o Facebook entrou na lista. Essa saída representou uma espécie de plano de fuga.


Confesso, ando, faz tempo, com uma vontade translúcida de fugir. Ir para o sul do país ou para algum cantinho em Paris, nem que seja para ser concierge em qualquer espelunca por lá. Ir embora mesmo. Chegar ao ponto de cruzar com turistas brasileiros deslumbrados embaixo da torre Eiffel e fingir que não conheço. Ficar no anonimato, sem dar notícias. E voltar, quem sabe, depois de muito tempo, para visitar túmulos somente. Esta vontade habita minha nuca, desce pela espinha e me põe ereta. Tenho um certo medo, pois quando começo assim, é como se desconfiasse de que mudanças estão pra chegar. Foi assim em 87, 98, 2002 e agora. Como se alguma situação me expulsasse do lugar em que estou. Se não for o lugar, pelo menos, a situação. Sinto que algo tem de mudar. Já consegui pontuar em quais áreas da vida, mas o que isto vai acarretar e para onde isso tudo vai me levar, não sei precisar ainda. O que importa é que estou em movimento. Por dentro. E este é sempre o ponto mais eficaz. 


Minha forma de ver a vida, o amor, as pessoas, as amizades, também tem mudado. Já não sou tão dramática, já não preciso tanto ver os outros como antes. Ando mais solta, ligando menos. Às vezes, até me estranho. Mas estou gostando. Estou aceitando estas mudanças com o coração calmo, bem diferente de antes. Quanto ao Facebook, não sei quando voltarei. Estou priorizando os encontros pessoais. Quanto ao meu amigo do início do texto, ele se separou. Disse que foi culpa da famigerada rede social por conta da exposição. Acabou fazendo mal, um ônus pesado, um caminho sem volta que ele declarou não querer abandonar. 


Eu fiquei pensando no que ele falou enquanto voltava pra casa com minha sacolas. Mas sem julgar. Fiquei pensando que, mais importante do que ter ou não uma rede social tão invasiva como o Facebook, é a opção de poder voltar a ela ou não quando bem entender. Ser livre é ser rico. Por ora, é o que importa. Quanto a mim, eu me contento com o Linkedin que, para o momento, está de bom tamanho. Tenho tantos livros para ler, tantas coisas pra fazer sem que ninguém saiba... Prefiro voltar ao meu livro do Gabriel Garcia Marquez que já deixou de se notícia no Face faz um tempinho...hehe

Um beijo, mô amorim.