quinta-feira, 24 de abril de 2014

Nem percebo

Teu olhar fixo em mim
Bem dentro dos meus olhos
Mas eu, vesga, só miro teus lábios

mô amorim

Sente.

Faz uns anos, tive um vizinho que fumava maconha às três da madruga e ainda uivava. Ele morava no apartamento de cima. Fizesse o que quisesse, mas não na hora do meu sono. Quem me conhece, sabe que sou louca e tenho como provar. Numa madrugada, perto de enlouquecer, ouvindo uivos e querendo dormir, abri a janela e coloquei essa música no talo. Resultado? Silêncio sepulcral: o cara se mudou. Ou se matou. 

https://www.youtube.com/watch?v=6eMUVSoVgcs

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Psicodrama do poeta fingidor



Sob o sol de Viana do Alentejo, aquentando-se num asilo, Adriano pergunta para Manoel:
_Aquela dor toda que disseste ter tido por Teresa, passou agora aos 87?
_Que dor, Adriano? Fora tudo fingimento!
_Mas que dizes?
Manoel completa limpando a farinha imaginária do avental imaginário de padeiro do passado:
_Dor boa é dor fingida. Sempre fingi um drama à la Pessoa!
Adriano assentiu com a cabeça lamentando não ter comido Teresa.

mô amorim

terça-feira, 22 de abril de 2014

Sinos, canudos e ninho



O lugar não era grande, mas cabiam todas as coisas e ainda o amor que dormia na cama desarrumada. Na cozinha, alguns livros - dela, no banheiro, algumas revistas - dele. Misturados estavam vários objetos que lhes eram comuns, próprios do gosto de sempre: a coleção de CDs do Buena Vista Social Club, Nina Simone e Pixinguinha. Na pequena adega, vinhos cheios de história. Numa das paredes da sala, um painel com fotos dos lugares a serem visitados: Santiago de Compostella, Belfast e Catanduva para o próximo ano. Na varanda, vasinhos com manjericão convidando sempre para um jantar mediterrâneo. As camisolas dela se entrelaçavam com os pijamas dele e um tom perolado invadia o ambiente. Um filtro de barro, uma pipoqueira e um bule imprimiam traços singelos e antigos, como se ali carregasse um pouco das mães que lhes pariram. Um sino tocava sempre que a porta se abria e neste momento o som os remetia para a Catedral de Notre dame. Por causa disso, todas as noites casavam-se com anéis de canudinhos antes de fazerem amor celebrando o aconchego do ninho. 

mô amorim

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Feriado bordô de uma garota emocional


Feriado pra mim quase sempre é sinônimo de retiro emocional. Aproveito a casa vazia pra me encontrar comigo mesma. Aliás, só tenho me encontrado comigo mesma aqui em casa, já que os filhos cresceram e tomaram seus caminhos na vida. Assim, experimento a sensação do silêncio e de esbarrar comigo em cada cômodo. Sempre dou um sorriso e uma piscadinha quando encontro com Ela-Eu. Pensei que não fosse gostar de ficar sozinha, mas minha personalidade quase que combina com tal estado proposto nesta altura da vida. E na quietude da sala, dos quartos, vou me aventurando. Sonho com os lugares que quero visitar. Imagino filmes rodando à la Amélie Poulain na minha cabeça. Faço minhas comidinhas, leio meus livros atrasados (converso com os autores), escrevo, rumino, durmo, sonho, pijameio na preguiça lisa e doce de Caymmi. Fico assim, movendo a perna a cada meia hora, mas as ideias voam. Invento uma playlist e vou seguindo o fluxo. Compro vinhos fáceis de abrir e vou bebendo devagarinho (comprei uma taça linda, sei viver!). Coisa boa isso, viu? Às vezes, levanto e danço. Outras vezes, só escuto a música, os sons e meu coração. As palavras muito bem montadas passeiam nos meus dedos aos sons de Piaf e me sinto bordô como o vinho que bebo agora. Não sei se me encontro ou se me perco.

mô amorim

domingo, 20 de abril de 2014

Tentando não me esconder atrás dos óculos. 
Talvez adereços sejam só disfarces.

Para a casa do perdão






Um leitor daqui do blog me enviou e disse que o exercício abaixo serve para quem quer perdoar ou precisa-quer ser perdoado. Achei interessante porque as mesmas palavras servem para situações diferentes. Obs.: Ele não sabe a autoria. 

"Troque de lugar. Dispa-se de você mesmo. Exclua qualquer vestígio das facilidades de sua vida e coloque-se no lugar do outro. Imagine-se no lugar da outra pessoa. Ela não sabe dos seus motivos. Apenas você sabe dos seus motivos. Foram suficientes para você? Mas seriam para a outra pessoaE se fosse você em seu lugar?"

Os discursos psicocoracionais do Estripitize-se reverberando por aí


Com frequência, recebo e-mails de homens e mulheres contando que meus poemas e crônicas os ajudaram a superar momentos de suas vidas, seja o término de um casamento falido ou a necessidade de buscar outros rumos baseados na verdade. Recentemente, soube por uma amiga, que meu texto "Casamento sem alianças" repercutiu na vida de três pessoas. Sempre, em quase todos os e-mails, as pessoas ressaltam essa busca pela verdade, pelas verdadeiras intenções implícitas em meus escritos que acabam por cutucar suas próprias vidas e consciências. Alguns até perguntam se fiz Psicologia. Não, não fiz nada disso, Sou Madame Mô, psicóloga de araque. Conselheira ativa em tendas instaladas em mesas de bar ou em caronas rápidas. Apenas busco minhas verdades, a pureza da intenção das minhas ações. Sempre pergunto a mim mesma: O que me move? Porque estou fazendo isto? Pena as pessoas não efetuarem os mesmos questionamentos quando se aproximam de mim. Por isso que há um contraste tão grande e de pouca compreensão. É um outro modo de enxergar a existência. Por vezes, soa até incoerente, mas uma coisa é certa: eu busco a verdade e a clareza dos gestos, meus e dos outros, a cada dia. Larguei um casamento falido porque não poderia jamais fazer meu ex marido feliz. Estaria traindo meu próprio coração, pois acredito que nossa existência tem este motivo: fazer o outro feliz. E ele, com todo o respeito, não era essa pessoa para quem eu queria doar o meu amor. Hoje fico calma ao saber que ele achou sua amada e vive feliz com ela. 
Agora do lado de cá, as coisas não são tão simples assim. Como eu disse, busco a verdade em cada ato, no meu cotidiano, na minha atividade profissional e amorosa. Tomei decisões na vida que me fizeram perder dinheiro e privilégios. Mas ganhei a mim mesma, em essência fortalecida. 
Sou daquelas pessoas sim que sempre reparam nos motivos. Por exemplo, não sou chegada a elogios e a presentes. Sempre desconfio dos motivos, das intenções, mas me alegro quando percebo no outro um coração despretensioso; quando percebo gente que se aproxima porque realmente gosta de mim. A gente sente essas coisas e não precisa de muita psicanálise pra isso. Por falar em psicanálise, sinto-me lisonjeada por dois profissionais da área terem escrito recentemente declarando que usaram materiais do blog para elucidar questões de seus pacientes. 
Bem, fico feliz por este blog conter material que acaba por servir de insumo, no entanto, é bom que meus leitores saibam, que nem tudo aqui acontece ou aconteceu comigo. Há sim postagens que são dirigidas a certas pessoas que fazem ou fizeram parte da minha vida. Quando assim acontece, eu faço questão de enviar para o e-mail pessoal delas, para não gerar dúvida. Outras postagens porém, são fruto da leitura de uma imagem ou de uma história contada por um conhecido, por exemplo. Há ainda os filmes a que assisto e tantos outros elementos diários e inspiradores que fazem suscitar os textos que aqui vocês encontram.
Às vezes, numa sentadinha rápida no táxi ou no metrô, dependendo da história que ouço, nasce ali um poema. Já invento personagens e situações. Há pessoas que me escrevem dizendo-se curadas da saudade do pai, do abandono do marido, da mudança vital e necessária para um emprego novo. E eu nunca imaginaria que meus escritos fossem gerar novos caminhos dentro de corações que nem conheço. 
Por causa disso, fiquei pensando no nosso papel de afetar o outro. Sim, nós afetamos o outro. Mas que tipo de impacto eu causo na pessoa que atravessa a minha vida? Dor ?Raiva? Mágoa?
Eu, sinceramente, quero ser do time daqueles que só fazem bem. 
Ando meio fria ultimamente, confesso, encarando na real as coisas lá de dentro. Questionando e causando estranhamentos nas pessoas mais próximas. Talvez eu esteja vivendo um romance às avessas com a minha própria alma. Querendo-a nua por inteiro, um verdadeiro e duplo striptease interno. Um romance diferente, mais violento e mais sincero comigo mesma. Eu não quero apenas as coisas de verdade, eu EXIJO as coisas de verdade. Em toda a sua profundidade. Para mim e para quem quer fazer parte da minha vida. Não há mais tempo para ilusão nem para perder tempo. O momento é agora e se não for, é porque não era verdadeiro. Eu não mando recado, eu grito mesmo que é para entender que comigo ou vai ou racha; ou pega ou larga; ou é pra valer ou some de vez. Fui criada para amar o romance e me apaixonar pela paixão, sempre nessa cadência de romanticidade. Mamãe fez um péssimo trabalho em mim. As características de loba tenho adquirido por causa das noites de solidão e lua cheia. 
E os piores acidentes românticos, não se enganem, acontecem quando a nossa mais elaborada ficção de paixão encontra correspondência na elaborada obra de uma masculinidade erotizada, ou seja, quando toda essa ideia romântica colide com uma alma masculina cheia de vaidades e sede de conquistas infindas. 
Como todo coração estragado pelo romantismo vendido nas novelas das oito, vemos no outro e em suas propostas sem pé nem cabeça, a nossa projeção inconsciente, como se tivéssemos buscado aquilo a vida toda. 
Há de se ter muita lucidez e perguntar: Você me ama de verdade? Ou sou apenas seu joguinho? Se a resposta não vier, nem olhe pra trás. 
Porque não adianta. Porque o amor se constrói em dias, meses e anos. O amor não é uma bolinha no calendário mostrando o sinal de fumaça de alguém que aparece esporadicamente para alimentar ilusões. Isso tem outro nome o qual me abstenho de mencionar para não estragar a elevação que pretendo neste texto. 
Assim, não é tanto o amor ou o ardor que salvam uma história que tinha tudo para ser bela. É sim a consideração, o jeito como aquele amor foi levado, conduzido, tratado. Nenhum sentimento subsiste quando a vaidade, o egoísmo, o machismo estão reinando. 
Se a paixão é obra de um momento estanque e brota dos calabouços mais íntimos do desejo e dos sonhos inconscientes, o amor é o passo e laço mais nobre para manutenção desses lampejos baseado, no entanto, em convívio constante e abnegações diárias.
O amor é fortalecido pela intimidade, pela convivência real.
Só a intimidade pode fortalecer um amor ou mostrar que aquilo que se pensava ser amor era, na verdade, uma projeção inconsciente da ideia de amor. 
Daqui, do alto do meu coração selvagem (sim, é assim que tenho me sentido mesmo com todas as perdas que tal estado me cause) declaro que me sinto fortalecida por saber que minhas palavras, poeticamente jorradas aqui neste blog, ajudam pessoas a buscarem a verdade em suas vidas, suas verdadeiras intenções. De quebra, sou ajudada também e continuo me curando, construindo aquela que um dia sonhei ser. 

Obrigada a todos que me acompanham. Um beijo, mô amorim.  

sábado, 19 de abril de 2014

Perigo


Imagina uma mulher com raiva...
Agora multiplica

Intimidade que ninguém quer.


Ele a admirava tanto e tanto, mas preferia não arriscar. E se numa dessas vezes caísse de amores? E se desmaiasse em seus braços mesmo sendo homem crescido? O que iria dizer para os amigos? E se a vontade de ficar com ela um pouco mais fosse mais forte que o porre mais fácil de se embebedar? Imaginava-a em sua intimidade, tal como ela descrevia que era: simples, de pequenos sonhos. Ela não morava em Paris, tampouco tinha vestidos ou flores nos cabelos. Mas era como se tivesse tudo isso sempre. Só por causa do jeito de olhar e dos livros que leu. Tinha medo de mulheres que liam bastante. Poderiam tornar-se facilmente agentes secretas da KGB, imaginava o homem cheio de temores. Como ela acordava? De que lado da cama dormia? Quantos travesseiros? Luz acesa ou apagada? Quantos livros na cabeceira? Acordava no meio da noite para beber água? Ia de chinelos de quarto ou dispensava-os? Melhor não saber. Mas sempre imaginava uma sala cheia de violetas, joaninhas, sinos do vento e coisas assim. Pede outra bebida forte enquanto conversa com os camaradas no bar. E como seria roçar o nariz naquele pescoço liso e macio dela depois do banho? Tinha medo. 

mô amorim

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Ela era sua cocaína



Um homem, tão inclinado a demonstrar nobreza entre os seus, estaciona sua carruagem, abre a porta da mesma e espera que, aquela que foi sua menina, entre naturalmente como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse havido entre os dois uma grande soma de tempo separando-os. Mas que modo mais grosseiro de se abordar uma dama na rua, ela pensa. Sinal de que tudo continua igual dentro daqueles gestos masculinos. Não... Ele não saiu da carruagem. Manteve-se lá imponente, sentado em seu orgulho. Ele não a interpelou na rua com um coração desarmado e limpo, como um cavalheiro apaixonado e arrependido. O tom ameaçador continuara nele. Mas ela, ah... Ela foi se tornado selvagem a cada dia. Como uma loba ágil, que fareja vestígios de maldade a quilômetros de distância. Mesmo com flores no cabelo, chapéus e chazinhos românticos em miniaturas de Paris, ela é selvagem. Porque adereços são só disfarces. Trocaram meia dúzia de palavras e ele seguiu sozinho para o reino dos vazios. Desta vez, não teve sua cocaína. Ela era sua cocaína. Sua droga fácil e vibrante para tirá-lo da vida morna e confortável por alguns quartos de horas. Após usá-la, naturalmente, seria visitado por um desejo de manter-se abstinente, longe dela, enxergando-a nociva à sua saúde psíquica e moral. E como um adicto, ele se muniria das mais belas palavras para conseguir sua droga novamente tempos depois. Ela, com faros de loba, sabendo-se usada, detectou enorme perigo e fugiu. Teve um dos maiores insights de sua vida: EU SOU A COCAÍNA DELE! E que lixo isso é! Foram tantas mortes até ali. Tantos abismos. Agora ela seguia a pé mesmo o caminho. Sujou a barra do vestido com lama, mas estava limpa por dentro. Ele poderia ter bagunçado seu cabelo, ter beijado sua nuca e ter deixado seu cheiro nela, ali dentro da carruagem mesmo. Mas ela não queria servir de droga fácil e descartável para alguém. Poderia ainda ter sugerido a ele algum tratamento, mas doenças assim, duram tempo demais para dar tempo de ser feliz. Sabia que aquilo não era amor, era vício, gestos rebiditórios, como ele mesmo outrora havia declarado. Naquela noite, dormindo entre travesseiros e sonhos, imaginou alguém que pudesse amá-la na beleza de sua intimidade. Alguém que apenas ficasse para sempre. 

mô amorim


Distraídos



O relógio da estação era bem grande, mesmo assim, a maioria das pessoas não queriam olhar para ele.
A maioria queria continuar vivendo do mesmo jeito de sempre, achando que ainda daria tempo.
Um pouco de fumaça, um pouco de café, um pouco de sorrisos vazios.
Conversavam como se o trem nunca fosse sair.
Viviam como se nunca fossem morrer.
Faltavam apenas cinco minutos.
Os distraídos faziam planos e resolviam questões financeiras.
Apenas dentro dos cinco minutos cabiam decisões.
O trem deixa a estação sempre pontualmente e ninguém acredita.
Ficou o homem que foi fumar um cigarro porque faltavam ainda cinco minutos.
Ficaram tantas outras pessoas que acreditavam que ainda daria tempo de fazer algo.
Quanto tempo você ainda tem?

mô amorim

quinta-feira, 17 de abril de 2014

durante e após

a gente só sabe que é amor depois
depois que passa tudo
quando não sobra nada
nem a segurança da lembrança
porque durante a gente não pensa
enlouquece apenas
a gente sabe que foi um super amor
quando dói o peito feito mão amassando por dentro
quando o desentendimento e os ruídos na comunicação
não conseguem afugentar do peito
todo o sentimento

mô amorim

sábado, 12 de abril de 2014

Casamento sem alianças



A gente casa por dentro
Nem todo mundo sabe disso
Mas é assim sim
Tem muita gente com aliança só no dedo
Mas o coração não é o mesmo
A gente casa é na alma
E faz uma casa pra pessoa lá dentro
Esses são os verdadeiros casamentos

mô amorim

sexta-feira, 11 de abril de 2014

nem título

e que mesmo eu arisca
e que mesmo eu escorregadia
e que mesmo eu assim, fugidia
você insiste em me escutar
chegou manso
amigo
abrigo
não
não posso prometer que este convívio vire romance
que esta rua vire avenida
que este bairro vire metrópole
mas, rapaz
esse teu jeito...

mô amorim

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Daí, então mais nada.

a gente só sabe que não pode parar de caminhar. era inevitável chegar a este vale onde a admiração de outrora já não reina mais. e a gente não sabe porque ficou tanto tempo parada esperando o outro. mas tudo, parece, tem um motivo. falta pouco. mas como se sabe? deve ser porque as lembranças revisitadas estão envoltas em névoas densas. eu não vejo mais tanta beleza aasim nelas. quando eu estiver curada, não vai sobrar mais nada: nem saudade, nem raiva. e será o fim do amor. 

mo amorim

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Pó de estrelas

Outro dia, tinha um monte de criança na minha sala e, depois de espirrar algumas vezes, uma delas me perguntou: "_Está gripada, tia?" Pra não dar resposta óbvia, eu disse: "_Não... é alergia a pó de estrela." Pronto. Foi suficiente para iniciar a fantasia. Então eu expliquei: "_Noite passada, eu não tinha nada pra fazer e fui dar uma volta com a minha vassoura. Voei alto, exagerei, eu sei. Quando pensei em voltar, na hora da curva, esbarrei em uma das pontas de uma estrela e, você sabe, né? Eu tenho alergia a pó de estrela. Só foi isso acontecer e comecei a espirrar sem parar. Atchim!" Juro pra vocês que alguns acreditaram. Ficaram rindo, querendo duvidar. Foi engraçado e gostoso. E querem saber? Criança precisa disso. E a gente, muito mais. 

mô amorim

segunda-feira, 31 de março de 2014

O dentro do dentro das personagens por dentro de mim


desenho de mô amorim

Eu não sei como é o processo de escrita das outras pessoas. O meu, claro, é bem maluco. Outro dia assisti a um vídeo da Eva Furnari onde ela relatava que em certa ocasião, estava quieta quando, de repente, veio uma grande trupe em sua direção. Isso aconteceu no âmbito mental e eram vários personagens querendo aparecer para o mundo. Ela não teve escolha e hoje eles são nossos conhecidos através de sua obra. Eva queria trabalhar apenas com uma personagem, mas moravam outros dentro dela e, que bom, viraram história. Eu chego a desconfiar mesmo que eles têm vida. Os dela e os meus. O meu processo de escrita, por exemplo, se dá de várias formas, mas  sempre vinculado a uma imagem. Sempre vem uma cena à cabeça e uma personagem. Alguns textos-poemas meus nasceram porque imaginei uma mocinha de sapatilhas andando pela casa, abrindo geladeira, lendo um livro ou fumando um cigarro escondido. Mas daí você pode me perguntar por que eu só escrevo sensações. E eu te dou a resposta clara e precisa: são essas moças que eu imagino, fazendo trivialidades durante o dia que sentem isso. Ou eu mesma que sinto e transfiro a elas. Fica mais bonito assim. Esse sentir fica mais charmoso se não for eu, se for qualquer uma delas. Também já fui surpreendida por personagens masculinos querendo falar por mim, mas são raras aparições. E sim, eu me confundo com as personagens e elas comigo. Moram à francesa dentro de mim e moram até francesas dentro de mim. Moram várias e eu estou virando um perigo social. Não nego que eu ache divertido e às vezes, mais real que os elementos estáticos habitantes do mundo que me dizem real. Mas a arte (me atrevo a dizer que faço arte) é uma coceira na cabeça, tipo piolhinhos infernizando você. É uma inquietação tão grande, que se não colocar pra fora, chega a doer. Pois bem, essa moça sentada acima que você vê, estava lá dentro habitando em mim. Na hora de dormir, ela e muitas outras, ficam flutuando em cima mesmo das minhas pálpebras fechadas e ainda me pergunto por que não durmo direito e acordo sempre com esses olhos vermelhos. Esta sentada aí, meio desfocada porque o papel ficou torto enquanto eu fotografava, é uma escritora aflita olhando para a tela branca do computador, esperando a ideia vir. Ela não ficará todo o tempo ali. Levantará para fazer um chá e olhar revistas de decoração. Poderá ainda até arriscar arrumar uma gaveta ao som de qualquer música especial que pesque a ideia dorminhoca dentro dela. E dentro dela há outro universo que eu tento explorar. Isso leva tempo, como tempo leva para amar. É quase como querer entender aquela embalagem antiga de Pó Royal que fica dentro de outro Pó Royal e assim infinitamente. Não sei quantas camadas há entre mim e a história repousando lá dentro do dentro das minhas personagens. O que importa é que estou disposta a vasculhar estas graciosas habitantes de mim e talvez eu tenha que desenhá-las, até entender tudo, ou pelo menos, escrever tudo que elas querem me dizer. E ai de mim se não o fizer...

domingo, 23 de março de 2014

Uma crônica de cinema mais mademoiselle impossível...

[*adianto aqui minha próxima crônica para a coluna 'Godivas' no Cinezen]



O outono chegou. Diferente de antes, dessa vez ela o viu chegar. Abriu as janelas e logo teve os cabelos despenteados pelo vento. Vive agora de cachos e não se importou se alguns pingos da chuva caíram sobre sua cabeça. Sorriu amarelo: no outono é assim. Tudo fica meio sépia, como os melhores prêmios de fotografia do cinema. Outono é o início de tons cor de cinza que virão quase macios e ternos com o inverno. Aqui não neva, mas se nevasse, com ponches quadriculados ela sairia a brincar. Uma brincadeira tímida, porque tudo no outono é discreto. Parece que cabem mais abraços que beijos nesta estação; mais aconchegos que arroubos.
Outono é tempo de livros abertos e pensamentos dispersos. Tempo de ficar em casa de pijamas ouvindo Miles Davis dizendo “I ove you” com seu trompete. Ou ainda, tempo de olhar o mar de ondas revoltas, quebrando brancas e espumantes na praia quase deserta.
Mas o outono também é época especial para ir ao cinema. Tem um sabor especial. Leva-se sempre um casaco, uma chemisier mais elegante. Tanto a prévia quanto o momento pós-filme pedem um café. Chocolates com conhaque também são bem-vindos nesta estação.
No outono, os filmes já foram premiados. O burburinho ansioso já acabou, dando lugar aos títulos alternativos. As cabeças pensantes e os cinéfilos de plantão aguardam qualquer novidade iraniana pintar nas telas.
Ela anda pelas calçadas a caminho do cinema e já avista casais de velhinhos de mãos dadas. Desconfia que neste momento, n’algum lugar, existam amantes felizes. Sabe que são poucos e raros, como raro é o amor. Das teorias que sustenta, esta é a mais triste: raridade são duas pessoas se amarem ao mesmo tempo e com a mesma intensidade. Quando isso acontece, melhor obedecer à loucura do amor para que todo o resto não vire triste monotonia de viver.
Ela compra o bilhete enquanto Louis Armstrong canta “A Kiss to build a dream on” no café ao lado. Ela não aguenta e sorri. Costuma flutuar com músicas assim, mesmo sem vinho corendo nas veias e dilatando os poros da face do rosto. Hoje ela passou colônia no corpo e sorriu de novo só por causa disso. Vai pisando fofo o carpete vermelho da sala que lhe espera. Um casal aqui, outro ali. Ela senta sozinha e imagina alguém do seu lado. Um ombro forte para deitar a cabeça enquanto o filme não começa. Ou mãos para segurar na hora do suspense, do susto, do medo. Mas não há ninguém. Ela escolheu ficar sozinha porque depois de muito amor, nada se compara, nada se compara... Está levemente rubra neste momento.
O trailer de um filme qualquer pinta na tela e pensa nos beijos desperdiçados. Pensa em tanta coisa. As luzes se apagam por completo. Pensa nas montanhas não escaladas, nas trilhas não percorridas, nos riachos não explorados. Pensa que poderia ser outra e fugir dali. O que e por que o cinema lhe causa isso tudo? Será só com ela? Que força tem uma ficção de acender nela tantos sonhos assim?
De repente, um pensamento lhe cai no ombro esquerdo. É um anjo irlandês que veio direto da Europa lhe contar o que já sabia. Ela nunca imaginaria tanto labor assim só por causa dela, mas ele veio e a tranquilizou. Disse, quase suspirando (porque as palavras em baixo tom são as que reverberam mais), para que ela não se esquecesse: você mora no amor.
Uma lágrima despencou dos olhos da atriz de tez branca e opaca na tela. Outra lágrima deslizou sua própria face. Lembrou que é sempre em salas de cinema que renova os votos de ser quem é. O filme acabou. Nos créditos, tantos nomes bonitos.
Espera todo mundo sair. O rapaz que verifica os assentos cantarola “Amor de loca juventud” e ela só sabe disto porque ama Buena Vista Social Club. Ajeita o casaco e sai. Ainda tem os chocolates com conhaque no bolso. Em casa lhe esperam o vinho, os chinelos novos de quarto e a tela branca do computador. A crônica já está pronta, escrita durante o filme, sem caneta mesmo. Escrita por dentro, íntima e rubra. Mais mademoiselle, impossível.
O outono lhe espera lá fora, assim como outros anjos. Ela sorri.

Um beijo, Mô Amorim.

Harley voadora



esperei a madrugada
nela, as ideias assombram mais
peguei uma escada
(desvairada essa minha liturgia)
e a finquei no jardim
úmido e tenso
degrau por degrau, subi 
de camisolas 
orvalho e grama
pensamento e lama
o peso do céu espalmado na mão
o peso da vida posto no chão
até pensei que o ar faltaria
mas, não
quanto mais escuro foi ficando
um azul profundo profano 
entrou pelos brônquios
na pleura jasmim
e eu meti as fuças 
lambi a via láctea
eu subi
e pra descer?
não se desce
daqui de onde estou
não se desce mais
meus cabelos agora são raízes
que crescem para cima
e fincam n'algum
astro embaraçoso e flutuante
não mais moro, eu pairo 
pra me acompanhar
só de Harley voadora
capacete de astronauta
e uns beijos bons 
na minha nuca tatuada

mô amorim





sábado, 22 de março de 2014

Das vantagens de amar



Ter uma fração de amor diário muda a saúde da alma
E só sabe quem já amou
É bem diferente viver apaixonado
O dia não pesa
O cansaço não chega
Só se dorme por costume
Porque o ser nunca se cansa de amar
O outro vira o quintal preferido
O filme escolhido
É para sempre o lugar onde a gente quer morar

mô amorim

Revoada


Pintura de Tati Barros

alguém notou que os pássaros estão mais felizes? é muito sutil... só alguns conseguirão observar... não sei se por causa da chegada do outono (estação que amo e propícia a entrelaçamentos), mas eles voam parecendo sorrir... rebatem o vento... a velocidade das asas muda... eles giram numa dança linda... e eu sempre imagino violinos para essas horas... eles parecem querer brincar... e brincam! que Deus me dê sempre olhares, pontos de vista, motivos para enxergar o que de belo Ele tem a me ensinar... por causa disso, eu pensei além... e eu sempre penso... que talvez, não só os pássaros voem alegremente no outono, mas as folhas também... por tanto tempo acreditou-se que elas, coitadas, caíam... quem sabe, naqueles segundos, de suposta queda, elas estejam, simples e graciosamente, apenas querendo imitar os passarinhos? apenas querendo voar... 


mô amorim

quinta-feira, 20 de março de 2014






Ontem eu estava voltando à noite da faculdade e fiquei com os olhos marejados ao presenciar a cena: duas moças cegas estavam no ponto de ônibus na Avenida Ana Costa. O motorista percebeu que havia parado longe da guia da calçada. Ele aproximou o ônibus e elas conseguiram subir. Ele também disse que iria deixá-las no lugar desejado, que ficassem tranquilas. Quantas vezes nós temos a oportunidade de deixar alguém tranquilo e não o fazemos? Procure prestar atenção em suas palavras. Você semeia a calma e a esperança ou assusta os outros com a pouca fé do seu coração? 

mô amorim

domingo, 16 de março de 2014

Mais uma crônica minha para o Cinezen

A Vida Secreta das Palavras: a dor alheia e as ondas não se repetem jamais

Por Mô Amorim


Sou atraída por tudo que se refere à palavra. Não é exagero, juro. Para mim, é como se elas vivessem numa espécie de Minhocário das palavras. Mesmo quando escondidas, estão ali perfurando, fazendo novos túneis de significações. As palavras têm ainda o poder de remodelar o passado de acordo com a emoção que colocamos nele. Elas criam formas para nossos sentimentos. Fazem bagunça nas nossas relações amorosas. Muitas vezes, aproximam pessoas. Noutras, pioram as coisas igual a passaporte para o deserto. Palavra quando fica escondida no peito, pesa. Palavra dita sem coração dói no outro. Palavras têm tons, cores, cheiros, sabores. Há palavras que salvam e outras que matam. São exímios martelos que ficam batendo madrugada afora.
Eu não sabia o que estava guardado dentro deste filme. Assim, quando vi o título “A Vida Secreta das Palavras”, não titubeei. Achei aquilo bonito: vida secreta das palavras. Acabei me lembrando do meu próprio Minhocário e me aventurei a assistir a esta película da diretora catalã Isabel Coixet. Queria ver, sob outros pontos de luz, como as palavras têm o poder de acionar dores e curá-las. Sim, eu acredito nisso!
O filme começa com Hannah, trabalhadora diligente em uma fábrica em algum lugar da Europa. O trabalho mecânico, os gestos secos e sem grandes aberturas pouco revelam sobre ela, a não ser seu jeito eremita de ser. Num belo dia, Hannah é chamada pelo chefe que, curiosamente sugere que ela viaje. Ao contrário dos outros funcionários, ela não faltava ao serviço e nem tirava férias. Era estranhamente assídua e exemplar; metódica e sem expressão. E quase que cumprindo uma ordem de cunho empregatício, obedece.
Tudo é estranho: o ônibus, o quarto do hotel, a comida. Quando parece estar perto de enlouquecer, oferece-se, em plenas férias, para ser enfermeira de um homem acidentado numa plataforma de petróleo. É neste ponto do filme que começam as experimentações humanas. Porque a gente só é de verdade quando esbarra no outro. A plataforma estava desativada devido a um acidente. Os trabalhadores dali estavam apenas aguardando os encaminhamentos da empresa. Curiosamente, cada um ali é atraído por um tipo de solidão. Desde o cozinheiro que, só para ter um pouco de alma, deixa tocar no rádio a música referente ao país da receita que executa, como o oceanógrafo que mede o número de ondas que batem na plataforma. Em vez disso, ele queria mesmo era salvar os mexilhões que ali vivem. São poucos que restaram ali e cada um atravessa os dias na sua pequena solidão. Mesmo assim, na plataforma, há balanços, música e sonhos para ninguém se esquecer que ainda moram humanos naquele lugar.
O paciente acidentado e com graves queimaduras pelo corpo é Joseph, sujeito ácido com as palavras. Ele está cego temporariamente e, ironicamente, é cuidado por uma enfermeira que pouco quer falar. Dentre os muitos diálogos do filme, ele lhe pergunta sobre sua comida preferida. Ela só comia frango, arroz branco e maçãs religiosamente. Então ele solta palavras no ar que vão quase se corporificando naquele quarto: chocolate com coco, semente de girassol, sorvete de gengibre, passas, tâmaras… Ela parece ignorar, mas bastou isso para passar a devorar outros sabores. Ah, as palavras…
Ele, mesmo sem enxergar, sabe que ela é loura. Sente tão forte seu cheiro de sabonete de amêndoa doce. Aos poucos, Hannah começa a falar. Em meio aos cuidados destinados a Joseph, ela consegue imaginá-lo com quinze anos. E, senhores, quando uma mulher faz isso, é sinal de que ela está se apaixonando. Joseph é esperto, percebeu que ela gostava um pouco dele. Mas muita coisa acontece. Mais dentro que fora dos personagens. Será que um homem suporta o passado de dor de uma mulher? Foi uma das perguntas que ficou flutuando na minha cabeça enquanto eu acompanhava o desenrolar do enredo.
Hannah pouco fala, mas as palavras estão ali dentro dela, desobedientes, sem cessar. Sua consciência tem a voz de uma criança e é audível para o espectador. Ecoa cá dentro de nós também quando diz: “Isso é tudo? Matar o tempo antes que o tempo te mate?”. E percebemos que há pessoas que escolhem viver assim. Há metáforas espalhadas pelo filme. As feridas visíveis de Josef doem menos do que as internas. Seu estado momentâneo de cegueira revela um homem que não quer enxergar certas coisas. Hannah, além de pouco falar, carrega um aparelho de surdez. Talvez por medo das palavras moradoras dela se cruzarem com as palavras moradoras de outros seres. Talvez tenha medo de não suportar dores alheias.
O filme é belo e denso, de imagens difusas, luz discreta para não alardear o desolamento dos ambientes e das pessoas. Mostra também como a política afeta nossas relações. Assim, o longa transita em dois planos, o pessoal e o político. Fala da guerra dos Balcãs, do quase esquecimento do sofrimento de milhares de armênios nas mãos de Hitler, etc.
avidasecretadvd“A Vida Secreta das Palavras” é belo e me apontou várias perguntas: como suportar a dor do passado de alguém? Hannah, diante do convite de Joseph para irem morar no Chile, acionando as palavras moradoras dela, achou melhor se afastar dizendo: “Vou começar a chorar tanto, que nada nem ninguém vai me fazer parar. As lágrimas vão encher o quarto, não vou conseguir respirar… Vou levar você para o fundo comigo, e nós dois vamos nos afogar”. E ele responde: “Eu vou aprender a nadar… Eu juro que vou aprender a nadar… ” Será que ela aceita? Será que o argumento de um coração que ama é capaz de salvar um coração que sangra? Ah, e Joseph, apesar de trabalhar em uma plataforma de petróleo, não sabe nadar. Ironias…
O filme acaba. Apago a luz, mas as palavras moradoras de mim cutucam as palavras moradoras da consciência de Hannah: “As ondas nunca se repetem.” As palavras moradoras de mim respondem: As ondas não se repetem jamais.
Um beijo cheio de emoção, Mô Amorim.

sábado, 8 de março de 2014

Dia 8 de março: Não me venham com flores!



Não, não me venham com flores! Eu não quero agradinhos hoje! Nem depois!
Vocês sabem do que eu estou falando! Sem essa de apagar todo o sangue e sonho derramados em todo 8 de março de cada ano. Aliás, presentinhos depois de toda esta merda que vivem nos fazendo durante séculos, parecem um consolo-disfarce para ser engolido e calar.
Mulheres morrem toda hora porque querem se separar de seus companheiros, como se não tivessem o direito de deixar de gostar ou deixar de apanhar. Não dá, sabe? Até quando iremos ser tratadas como mercadoria adquirida?
É... Eu tive que me fingir de burra para conseguir escapar de grilhões. Foram alguns bons anos até poder ser eu. É mais ou menos assim: alguém tenta te matar e você finge que morreu. Você não respira, fica imóvel, cerra os olhos e espera o algoz se afastar. Mas quem disse que a gente não morre um pouco em cada cena dessas para depois acordar? Então, a uma distância segura, você corre e com o molho de chaves escondido no avental de serviçal que lhe deram, você abre todos os portões da sua mais linda prisão. Só que você não sai a mesma que entrou. Eu garanto. Não, não tentaram me matar, apenas os meus sonhos, o que pode ser a mesma coisa. Mas por favor, entendam a metáfora.
Não, não me venham com flores. Não hoje. Nem depois. Enquanto este for o motivo, não me venham com agradinhos.
Mas agora vocês podem trabalhar, alguns dirão. Sim, enquanto vocês assistem televisão e lavamos a louça do jantar e limpamos todo o resto da casa. VTC!
Então é isso, cavalheiros, não somos qualquer coisa. O sexo não é obrigação. A maternidade não é obrigação. Usamos a roupa que queremos e isso não quer dizer necessariamente o que queremos. E quando queremos, qual o problema? A malícia, a lascívia e a vulgaridade estão nos olhos de quem vê.
Como mulheres, somos múltiplas, como nossos orgasmos. Únicas, como a nossa dor. Há algum sexto sentido instalado em nós. Não sei se nas têmporas ou virilhas.
Um vez escutei que mulher não precisava estudar porque, para cortar cebolas, não se precisa muito. Por isso e por outras coisas, continuo estudando até hoje. E enquanto existir um monte de livros não lidos pelas mulheres, amarelando na estante por causa de servicinhos domésticos, a liberdade não chegou!
Ah, e outra coisa: o título de rainha do lar que nos deram, podem enfiar...
Entenderam, né? Nada de flores!

mô amorim



sexta-feira, 7 de março de 2014

Para os queridos daqui que me escrevem

Não entendi ainda, mas meu e-mail monicaamorim816@hotmail.com não funcionará por um mês por falta de um bendito código que eles inventaram. Reativei o e-mail mocravocanela@gmail.com. Tá, sei que é sexy, mas sem gamar, tá? 

segunda-feira, 3 de março de 2014

Quando pedi um homem em casamento



"Uma mulher com a cabeça no teu ombro pode ser o suficiente para a vida valer a pena. E é." Não, eu não escrevi isso. Quem escreveu foi Pedro Chagas Freitas, que merece todos os créditos. Eu mesma nunca conseguiria saber como é esta sensação, justamente porque sou pétala, fêmea, mulher em cada poro e dobra de mim. No entanto, nunca busquei alguém para me sustentar, para me proteger. Gosto de fazer meu próprio caminho com o suor das minhas têmporas. Sabe, eu gosto muito de desbravar (talvez, por isso mesmo, eu tenha me cansado muitas vezes). Mas a sensação de descansar no ombro de alguém foi uma das melhores coisas que já experimentei. Foi tão inexplicavelmente bom que foi a única vez em que me senti impelida a pedir um homem em casamento. Penso agora que talvez ele não tenha gostado tanto assim de minha cabeça no ombro seu, porque ele não aceitou. 
mô amorim



põe em meu coraçãozinho uma bossa eterna, meu amor
ou ainda, replica violinos em mim

faz algo aqui dentro ser feliz feito sinfonia de domingo
porque esta pausa já dura tempo demais


mô amorim

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Será que um dia ainda verei isto de perto?


Ondas a esmagar o cais na Praia da Aguda, em Vila Nova de Gaia, Portugal. Foto: Tiago Pinheiro